Antes do acordeon
A história do acordeon está ligada à dos instrumentos de palheta livre. Entre os seus antepassados mais conhecidos está o sheng, órgão de boca chinês usado há muitos séculos. Nele, o ar faz vibrar pequenas palhetas, princípio acústico que se tornaria essencial para muitos instrumentos posteriores.
Esse conhecimento chegou gradualmente à Europa, onde construtores e músicos passaram a experimentar palhetas metálicas, câmaras de ar e foles. Não houve um único inventor de toda a família: o acordeon é resultado de uma sequência de descobertas e aperfeiçoamentos.
O nome “acordeon”
Em 6 de maio de 1829, em Viena, Cyrill Demian e seus filhos apresentaram a descrição de um instrumento chamado Accordion. Pequeno, portátil e acionado por fole, ele possuía botões capazes de formar acordes — característica que ajudou a dar origem ao nome.
No mesmo período, outros instrumentos de palheta livre, como a concertina, também ganharam espaço na Europa. A partir daí, novos modelos passaram a combinar botões ou teclados, baixos, registros e mecanismos cada vez mais precisos.
A tradição italiana
Na segunda metade do século XIX, Castelfidardo, na Itália, tornou-se um dos grandes centros de fabricação do instrumento. Paolo Soprani começou a trabalhar com acordeões na cidade em 1863 e, com seus irmãos, contribuiu para o desenvolvimento da indústria italiana.
Oficinas e fábricas italianas ajudaram a consolidar o acordeon como instrumento de grande refinamento artesanal. Ao longo do tempo, diferentes construtores aperfeiçoaram a mecânica, as palhetas, os registros e as possibilidades de timbre.
O acordeon no Brasil
O instrumento chegou ao Brasil em diferentes momentos, acompanhado por rotas comerciais e por fluxos de imigração europeia. Ganhou presença marcante sobretudo no Sul, no Centro-Oeste e no Nordeste, onde passou a dialogar com repertórios, danças e identidades regionais.
No Nordeste, é amplamente conhecido como sanfona e se tornou uma voz central do forró. No Rio Grande do Sul, recebe o nome de gaita; ali, a gaita-ponto, a gaita-botoneira e outros modelos se tornaram símbolos da música tradicionalista. Em todo o país, o acordeon segue presente na música popular, no choro, no tango, no jazz, na música de concerto e em novas criações.
Uma história em movimento
Do sheng aos acordeões acústicos e digitais contemporâneos, a família do acordeon continua a se transformar. O que permanece é a relação direta entre ar, fole e palheta — uma mecânica que, nas mãos de cada músico, se torna linguagem.
